PROGRAMA
Crucifixus a 8 vozes | Antonio Lotti (1667-1740)
Stabat mater a 10 vozes | Domenico Scarlatti (1685-1757)
Miserere mei a 3 coros | João Rodrigues Esteves (1700-ca.1751)
ELENCO
Coro Regina Coeli de Lisboa
Ensemble São Tomás de Aquino
André Ferreira, César Gonçalves & Marta Vicente, baixo contínuo
Maria de Fátima Nunes, direção musical
TEXTOS E TRADUÇÕES
Stabat Mater Estava a Mãe
Stabat Mater dolorosa Estava a mãe de pé
juxta crucem lacrimosa chorando junto à cruz
dum pendebat Filius da qual pendia o seu Filho
Cujus animam gementem Cuja alma gemente,
contristatem et dolentem entristecida e dolorida
pertransivit gladius fora trespassada por uma espada
Fac me cruce custodiri Faz que eu seja guardado pela Cruz,
morte Christi praemuniri fortalecido pela morte de Cristo
confoveri gratia e confortado pela sua graça
Quando corpus morietur Quando o meu corpo morrer,
fac ut animae donetu faz que a minha alma alcance
paradisi gloria a glória do paraíso.
Amen Amen
Crucifixus Cruxificado
Crucifixus etiam pro nobis Também por nós foi crucificado,
sub Pontio Pilato sob Pôncio Pilatos
passus et sepultus est. padeceu e foi sepultado.
Miserere mei Deus
Tem compaixão de mim, ó Deus
1 Miserere mei, Deus, secundum magnam misericordiam tuam;
Tem compaixão de mim, ó Deus, pela tua bondade;
2 Et secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquitatem meam.
Pela tua grande misericórdia, apaga o meu pecado.
3 Amplius lava me ab iniquitate mea; et a peccato meo munda me.
Lava-me de toda a iniquidade; purifica-me dos meus pecados.
4 Quoniam iniquitatem meam ego cognosco: et peccatum meum contra me est sempre.
Reconheço as minhas culpas e tenho sempre diante de mim os meus pecados.
5 Tibi soli peccavi et malum, coram te feci; ut justificeris in sermonibus tuis, et vincas cum judicaris.
Contra ti pequei, só contra ti, fiz o mal diante dos teus olhos; por isso é justa a tua sentença e recto o teu julgamento.
6 Ecce enim in iniquitatibus conceptus sum; et in peccatis concepit me mater mea.
Eis que fui gerado na culpa e minha mãe concebeu-me em pecado.
7 Ecce enim veritatem dilexisti; incerta et occula sapientiae tuae manifestasti Mihi.
Tu aprecias a verdade no íntimo do sere ensinas-me a sabedoria no íntimo da alma.
8 Asperges me hyssopo, et mundabor; lavabis me, et super nivem dealbabor.
Purifica-me com o hissopo e ficarei puro, lava-me e ficarei mais branco do que a neve.
9 Auditui meo dabis gaudium et laetitiam, et exsultabunt ossa humiliata.
Faz-me ouvir palavras de gozo e alegria e exultem estes ossos que trituraste.
10 Averte faciem tuam a peccatis meis ; et omnes iniquitates meas dele.
Desvia o teu rosto dos meus pecados: e apaga todas as minhas culpas.
11 Cor mundum crea in me, Deus; et spiritum rectum innova in visceribus meis.
Cria em mim, ó Deus, um coração puro; renova e dá firmeza ao meu espírito.
12 Ne projicias me a facie tua; et spiritum sanctum tuum ne auferas a me!
Não me afastes da tua presença, nem retires de mim o teu Santo Espírito!
BIOGRAFIAS
CORO REGINA COELI DE LISBOA
O Coro Regina Coeli de Lisboa foi criado em 1966 pelo Maestro António Joaquim Lourenço, tendo sede desde a sua fundação na Freguesia de Olivais, em Lisboa.
Formado por cerca de 50 elementos, aborda repertório variado do qual fazem parte obras a capella do séc. XVI ao séc. XXI, bem como obras corais-sinfónicas do período barroco ao moderno e contemporâneo, como por exemplo Magnificat de Bach; Gloria de Vivaldi; Messias de Haendel; Requiem de Mozart; 9a Sinfonia de Beethoven; Requiem de Fauré; Carmina Burana de Carl Orff; Requiem de John Rutter; Chichester Psalms de Bernstein e Porgy & Bess de Gershwin.
Efetuou concertos por todo o país e em Espanha e França e tem participado em vários Festivais Nacionais, Ciclos de Concertos e Intercâmbios Corais, destacando-se o lançamento da “Expo'98” e o “Festival dos 100 Dias”, “Música nas Praças” em Lisboa, concerto “Portas Abertas”, na Fundação Calouste Gulbenkian, o “Ciclo de Música Sacra do Santuário de Fátima”, a “Gala Excellens Mare” e a “Gala das Quinas”. Realizou intercâmbios corais com o coro de câmara holandês Kamerkoor Sjanton, com o coro de câmara finlandês Dominante Choir, com o californiano San Ramon Choir e com os coros franceses Passionato e Le Madrigal de Paris.
Recentemente, protagonizou o “Concerto Oficial Pré-Jornadas JMJ Lisboa 2023”; o “Concerto de Páscoa” no Mosteiro dos Jerónimos; a abertura da ADCoros España 2024, em Burgos; o “Concerto Celebrativo do 65ºAniversário do Santuário do Cristo Rei” e o “Concerto de Natal” na Sé Patriarcal de Lisboa. Já em 2025, realizou o “Concerto de Primavera” no Palácio de Nacional da Ajuda, deslocou-se a Paris para dois concertos de música contemporânea portuguesa, em parceria com o Instituto Camões e foi o coro residente intermediate na Lisbon Choir Conducting Masterclass.
Tem cooperado com orquestras e agrupamentos instrumentais profissionais, como a Orquestra de Câmara do Conservatório Nacional de Lisboa, Orquestra da Juventude Musical Portuguesa, Orquestra Filarmonia das Beiras, Orquestra Sinfónica Portuguesa, Orquestra ARTAVE, Sinfonietta de Lisboa, Orquestra Nacional da Lituânia, Nova Filarmonia Portuguesa e a Cincinnati Philarmonia Orchestra. Já gravou vários trabalhos musicais para a RDP, RTP e Rádio Renascença.
Participou no Festival Coros de Verão, integrado nas Festas de Lisboa, tendo conquistado a medalha de Ouro III na categoria Vozes Mistas, em 2015, a medalha Prata IX na categoria Música Sacra, em 2016 e a medalha Prata X na categoria Vozes Mistas, em 2018.
É co-organizador do Curso Internacional de Música Vocal, juntamente com a Orquestra Filarmónica das Beiras e a Universidade de Aveiro.
O Coro foi dirigido até setembro de 1983 pelo seu fundador e, posteriormente, por António Lourenço, Paulo Lourenço, Regina Mostardinha, Henrique Piloto e Pedro Miguel. Atualmente a direção musical e artística está a cargo de Maria de Fátima Nunes e Marcos Cerejo, coadjuvados por Alexandre Gomes.
ENSEMBLE SÃO TOMÁS DE AQUINO
Residente na Igreja de São Tomás de Aquino, em Lisboa, o Ensemble São Tomás de Aquino constitui-se como um grupo de composição variável formado por jovens músicos profissionais. Tem direção artística de João Andrade Nunes.
Criado em julho de 2015, tem apresentado – em concerto e no âmbito litúrgico – repertório verdadeiramente exigente e diferenciado. Entre as obras executadas em concerto incluem-se o Kyrie e Gloria da “Missa em Si menor” e o “Magnificat” de J. S. Bach, Gloria de A. Vivaldi, “Messiah” e “Dixit Dominus” de G.F. Handel, “Selected Mass” de Vincent Novello, “Requiem” de Mozart, bem como numerosas obras de polifonia sacra antiga e contemporânea.
Seguindo de perto o trabalho do compositor Alfredo Teixeira, tem estreado várias das suas obras: “Missa do Parto”, para coro e órgão (2018), “Apocalipse Breve segundo Daniel Faria”, para duplo trio (2019); “Hinário para um tempo de confiança”, para coro, órgão e saxofone (2021); “Missa sobre o mundo”, para órgão e voz recitante (2021); “Pai, a morte vem – Lectio XII”, para coro e saxofone (2022); “a tua ausência de ti”, para coro (2023) e “Duas canções corais”, para coro e piano (2024).
Em março de 2021, através do seu canal YouTube, que conta com mais de 3000 seguidores e 800.000 visualizações, iniciou um projeto musical, denominado de “Vou interpretar o meu enigma ao som da lira. Música, Liturgia, Espiritualidade”, que pretende (re)descobrir e divulgar, de forma ampla, música sacra. Recorrendo ao mesmo formato, em dezembro de 2025, apresentou um novo projeto, designado “Salmos de Santa Isabel”, o qual visa redescobrir a obra “Salmos para cantar” (1966), de Francisco Fernandes e Pedro Tamen.
Tem vindo a apresentar-se em diversos festivais de música tais como: Festival Internacional de Órgão da Madeira (2017), II Festival Internacional de Órgão de Mafra (2018), Festival de Música “Sons com História” de Castelo de Vide (2019), Festival Cistermúsica (2020), II Festival de Música Antiga de Torres Vedras (2020), Festival de Música no Termo (2021), I Festival Sons do Côa (2022) e Festival Cistermúsica (2023).
Em Novembro de 2020, sob a chancela da Paulus Editora, lançou o seu primeiro projeto discográfico, intitulado de “Vimos do Mar e da Montanha”. Em novembro de 2023, lançou o seu segundo álbum, dedicado aos cantos portugueses da Natividade, designado “Ó meu Menino”.
ANDRÉ FERREIRA, órgão
Iniciou os seus estudos de órgão com António Esteireiro no Instituto Gregoriano de Lisboa, continuando posteriormente com Jos van der Kooy no Conservatório de Haia.
É licenciado em Órgão pelo Real Conservatório de Amesterdão, onde estudou com Jacques van Oortmerssen, tendo igualmente a oportunidade de trabalhar com Pieter van Dijk.
Concluiu os mestrados em Performance e em Ensino de Música da Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), sob a orientação de João Vaz.
Frequenta o mestrado em Oboé Barroco, com Pedro Castro, na ESML e é bolseiro FCT no doutoramento em Ciências Musicais na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, sob orientação de Rui Vieira Nery e João Vaz, investigando sobre os 6 órgãos da Basílica de Mafra.
Como solista ou integrado em diversos agrupamentos musicais já efetuou recitais em Portugal, Espanha, França, Itália, Holanda, Alemanha, Inglaterra e Nova Zelândia.
Fundou juntamente com Maria Bayley e Teresa Duarte o Ensemble 258, com quem igualmente organizou e produziu o ciclo de música antiga “7 Colinas / 7 Cantatas” em Lisboa. Gravou recentemente um dos volumes da gravação integral das Flores de música de Manuel Rodrigues Coelho (Resonus).
Colabora como organista, em Lisboa, com a Paróquia de S. Tomás de Aquino e com a Paróquia de Santa Maria de Belém, Mosteiro dos Jerónimos. Pertence ao Ensemble S. Tomás de Aquino, dirigido por João Andrade Nunes.
No ano lectivo 2016/2017 lecionou no Conservatório Regional de Ponta Delgada, Açores. Atualmente, é professor de Órgão na Escola Diocesana de Música Sacra do Patriarcado de Lisboa, no Conservatório de Mafra e na Sé Catedral de Faro.
É também licenciado em Matemática Aplicada e Computação pelo Instituto Superior Técnico.
CÉSAR GONÇALVES, violoncelo barroco
Nasceu no Funchal e iniciou o estudo do violoncelo aos 18 anos no Conservatório de Música da Madeira, fazendo nesta escola um percurso ecléctico entre a música orquestral e vocal, o jazz e a música tradicional madeirense. Em 2005 ingressou na Academia Nacional Superior de Orquestra, onde estudou violoncelo com Paulo Gaio Lima e música de câmara com Paul Wakabayashi, tendo concluído com os mesmos professores a Licenciatura em Música (2008) e o Curso de Mestrado em Performance (2009) na Universidade de Évora, onde fez também uma Pós-Graduação em Ensino Vocacional da Música (2011). Em 2014 terminou o Mestrado em Ensino de Música (violoncelo) na Escola Superior de Música de Lisboa, com Clélia Vital.
O seu percurso académico inclui masterclasses em Portugal e no estrangeiro com professores como Radu Aldulesco, Antonio Lysy, Pablo de Náveran, Eckart Schwarz-Schulz entre outros, no violoncelo moderno, e Miguel Ivo Cruz e Diana Vinagre, no violoncelo barroco, que marcaram profundamente o seu crescimento artístico. Num percurso profissional essencialmente como freelancer, integrou diversas orquestras e grupos de câmara nacionais e internacionais. Participou em concertos com orquestra ou grupos de câmara em países como Alemanha, Angola, Bulgária, Espanha, Inglaterra, Itália, Roménia, Suíça, Finlândia e África do Sul, trabalhando com diversos maestros e compositores, várias vezes em estreias mundiais das suas obras. Desde 2010 colabora regularmente como violoncelista na Orquestra de Câmara Portuguesa (OCP), onde já se apresentou a solo.
Num projecto OCP, foi co-responsável pela fundação da Orquestra Académica da Universidade de Lisboa (OAUL) desde a sua criação em 2014 e coordenando-a até 2017.
É membro co-fundador do Ensemble Carlos Seixas com actividade desde 2016.
É frequentemente convidado a integrar grupos de trabalho em orquestras de jovens em Portugal. Desde 2011 e até 2017 foi tutor e ensaiador dos naipes de violoncelos e contrabaixos da Jovem Orquestra Portuguesa (ex-OCPzero).
É professor no Instituto Gregoriano de Lisboa e no projecto Orquestra Geração – Sistema Portugal desde 2016.
MARTA VICENTE, contrabaixo
Nasceu em Lisboa e iniciou os seus estudos de música na Fundação Musical dos Amigos das Crianças, nas classes de contrabaixo dos Professores Adriano Aguiar e Pedro Wallenstein. Estudou ainda com Alejandro Erlich-Oliva e Duncan Fox.
Licenciou-se em Contrabaixo e Violone no Departamento de Música Antiga e Práticas Históricas de Interpretação do Conservatório Real de Haia (Holanda), na classe de Margaret Urquhart.
Frequentou masterclasses com Rainer Zipperling, Margaret Urquhart, Sigiswald Kuijken, Mieneke van der Velden, Ton Koopman, Jacques Ogg, Patrick Ayrton, Charles Toet, Richard Gwilt, Peter Holtslag e Daniël Brüggen.
É fundadora e Directora Artística da Orquestra Barroca Real Câmara, cuja direcção musical está a cargo do maestro e violinista Enrico Onofri.
Foi membro da Orquestra Barroca Divino Sospiro e colabora com grupos especializados internacionais tais como La Grande Chapelle, Ludovice Ensemble, Ensemble Bonne Corde, Bando do Surunyo, Sete Lágrimas, Concerto Campestre, Capella Patriarchal, Luthers Bach Ensemble, New Dutch Academy, Wallfisch Band, Opera2Day, Americ’Antiga e La Suave Melodia.
Apresentou-se em vários festivais e inúmeros concertos em Portugal, Espanha, França, Itália, Bélgica, Holanda, Alemanha, Polónia, Bulgária, República Checa, Roménia, Finlândia, Malta, Brasil, México e Japão. Toca regularmente com a Orquestra Sinfonietta de Lisboa e apresentou-se com a Orquestra Gulbenkian, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra Sinfónica Portuguesa e Deutsche Kammerphilharmonie de Bremen.
Trabalhou sob a direcção de Enrico Onofri, Rinaldo Alessandrini, Harry Christophers, Alfredo Bernardini, Chiara Banchini, Cecilia Bernardini, Massimo Spadano, Elizabeth Wallfisch, Vittorio Ghielmi, Alberto Grazzi, Kenneth Weiss, Ketil Haugsand, Riccardo Doni, Vanni Moretto, Marc Hantaï, Peter Van Heyghen, Albert Recasens e Michel Corboz.
Gravou cerca de duas dezenas de discos para etiquetas discográficas como a Naxos, Lauda, Dynamic, Pan Classics, Nichion, entre outras, bem como para as rádios Antena 2 e Radio France, e os canais televisivos Mezzo e RTP.
MARIA DE FÁTIMA NUNES, direção artística e musical
Natural de Lisboa (1987), realizou os seus estudos musicais no Instituto Gregoriano de Lisboa, é licenciada em Fisiologia Clínica (Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Lisboa), mestre em Direcção Coral – ensino e performance (Escola Superior de Música de Lisboa) e pós-graduada em Estudos Avançados em Polifonia (Escola Superior de Artes e Espectáculo do Porto).
Trabalha regularmente como maestrina e mezzo-soprano nalguns projectos nacionais e internacionais e ainda como professora de coro na Escola de Música de Nossa Senhora do Cabo. Na área do canto teve oportunidade de trabalhar com Armando Possante e Manuela de Sá. Como solista, realiza alguns concertos em repertório de várias épocas e estilos. Trabalhou com Michel Corboz, Esa Pekka Salonen e Patrice Chéreau, John Nelson, Leonardo García Alarcón, entre muitos outros. Fez parte do Tenso Europe Chamber Choir (Kaspars Putnins) e participou em vários festivais de renome na Europa integrando vários agrupamentos, como o Festival de Ambronay (FR), Festival d’Aix en Provence, Oude Muziek (NL). Recentemente, foi responsável pela preparação do Coro da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 e integra a direcção artística do Coro Regina Coeli de Lisboa a partir de Setembro 2023. É maestrina assistente do Coro Participativo do Summer Choral Festival of Lisbon (desde 2017), Coro Participativo da Fundação Calouste Gulbenkian (2017, 2018 e 2024) e do Ensemble São Tomás de Aquino. Como cantora de ensemble, trabalha regularmente com o Coro Gulbenkian (Martina Batic), Choeur du Chambre de Namur (BE), Ars Lusitana, Vocal Ensemble (Vasco Negreiros), Officium Ensemble (Pedro Teixeira), Arte Mínima (Pedro Sousa e Silva), Capella Sanctae Crucis (Tiago Simas Freire).
